Author Archives: Priscilla Figueiredo

Terapia Hiperbárica para Osteomielite Crônica Pós Operatória

Um estudo realizado em 2017 e publicado este ano na Revista Brasileira de Ortopedia pretende reunir o que se sabe sobre a Osteomielite Crônica Pós Operatória nos Longos Ossos.

No início de seu trabalho, os autores nos explicam sobre o quadro que é objeto de estudo: “A osteomielite crônica é a entidade infecciosa em que o processo se encontra instalado e presente há mais de um mês. Pode ser ocasionada por um processo infeccioso agudo tratado incorretamente, sítio pós‐cirúrgico, infecção óssea por contiguidade a partir de infecção crônica de partes moles adjacentes, entre outras situações.

A osteomielite crônica pós‐operatória representa um problema de saúde importante devido à sua morbidade significativa e baixa taxa de mortalidade.Essa infecção ocorre em aproximadamente 5 a 50% das fraturas abertas, em menos de 1% das fraturas fechadas com osteossíntese e em 5% como causa da disseminação hematogênica aguda.O principal problema associado à infecção óssea crônica é a capacidade dos microrganismos de permanecer no tecido ósseo necrótico e aumentar sua sobrevivência.”

Os autores encontraram 804 artigos referentes ao tema e escolheram os mais atuais e relevantes para serem estudados em vista de revisar o tema. A partir disso, os autores apresentam causas, funcionamento do quadro, forma de avaliação e diagnóstico, tratamentos medicamentosos e terapias complementares. Nessa última se encontra a Oxigenoterapia Hiperbárica, que segundo os autores: “é usada por mais de 60 anos em todo o mundo. O tratamento envolve a respiração de oxigênio na concentração de 100% sob condições hiperbáricas, promove entrada sob pressão de oxigênio na circulação sanguínea do indivíduo e chegada aos tecidos. A hiperoxigenação tissular provoca efeitos terapêuticos específicos, inclusive estimulação da lise bacteriana por leucócitos, aumento da proliferação de fibroblastos e colágeno na ferida, neovascularização de tecidos isquêmicos ou irradiados, imunomodulação como a redução de mediadores pró‐inflamatórios e a redução dos efeitos da isquemia‐reperfusão nos tecidos isquêmicos. Como consequência, a terapia hiperbárica promove tanto efeitos diretos para controle da infecção como indiretamente melhora as condições tissulares da ferida, promove o aprimoramento na cicatrização.”

Assim, o estudo nos mostra que a Oxigenoterapia Hiperbárica é eficiente e um grande aliado no tratamento de Osteomielite Crônica Pós-Operatória nos Longos Ossos.

 

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Por que eu ainda não conhecia esse tratamento?

Temos falado rapidamente sobre a Terapia Hiperbárica. Você pode ler os posts anteriores, nos quais falamos sobre O que é a Oxigenoterapia HiperbáricaPorque ela funcionaComo e quando fazer o tratamento,  quais as indicações  e A OTH para atletas. Para ler os posts, pasta clicar nesses links.

Como dissemos anteriormente, a Oxigenoterapia Hiperbárica é um dos tratamentos médicos mais antigos do mundo ainda em uso. O tratamento se aprimorou muito, tem uma taxa de sucesso bastante alta, mas mesmo assim muitas pessoas desconhecem o tratamento. Por que será que isso acontece?

Apesar de ser um tratamento maravilhoso, existem desafios. Hoje há um grande obstáculo que é a questão cultural. Não é um tratamento que toda a classe médica conhece, devido a um déficit estrutural da graduação, além disso, por ser um tratamento complexo e “raro”, a baixa disponibilidade de serviços faz com que não se crie o hábito da indicação, mesmo para casos em que sabidamente é o único tratamento capaz de mudar a história de um quadro. Outro problema é que no Brasil é um dos tratamentos menos difundidos, apesar de ser reconhecido como tratamento médico e ter uma eficácia de até 97% em algumas indicações. Isso se dá por alguns modismos do passado, o tratamento foi usado como recurso estético por muito anos. Personalidades como Michael Jackson, Xuxa e Ayrton Senna tinham o equipamento em casa para uso diário. Isso fez com que o tratamento fosse um pouco desmerecido aos olhos de alguns. Ainda assim, é o único e melhor tratamento do mundo para diversas indicações, principalmente grandes queimados. Por isso é muito importante o paciente e o médico estarem informados de que o tratamento é disponibilizado aqui em Campinas, há muitos anos.

Oxigenoterapia Hiperbárica para Atletas

Ainda estamos em nossa série de posts para falar de forma simples e rápida sobre a terapia hiperbárica. Se quiser acompanhar os posts anteriores, já falamos sobre O que é a Oxigenoterapia Hiperbárica, Porque ela funciona, Como e quando fazer o tratamento e quais as indicações. Para ler os posts, pasta clicar nesses links.

Hoje falaremos sobre uma coisa que nos questionam muito:

A Oxigenoterapia Hiperbárica para atletas

 

 

Sim, a notícia é boa para os atletas e para quem pratica esportes. O tratamento pode ser usado para lidar com lesões de atletas. Um grande estudo japonês de 2015 comprovou grandes diferenças decorrentes da utilização da oxigenoterapia hiperbáricas, tanto na melhora da lesão quanto na diminuição do tempo de recuperação. O médico responsável pelo estudo propôs ainda que fossem criados centros hiperbáricos em todas as vilas olímpicas e nos países cede das copas de grandes esportes pelo mundo. Os praticantes de esportes, com auxílio da terapia hiperbárica, terão suas capacidades funcionais e estamina melhorados. A notícia também é boa para os que buscam manter a aparência. Este é o melhor, mais rápido e mais efetivo tratamento para complicações e infecções cirúrgicas, principalmente cirurgias estéticas. No caso de úlceras de pressão e queimaduras há também uma grande melhora no efeito estético final.

Nesses casos, é complicado falarmos de forma abrangente, pois cada quadro é um quadro. Mas é claro que se você quiser saber mais sobre o seu caso, converse com seu médico ou entre em contato com a gente para tirar suas dúvidas.

Oxigenoterapia Hiperbárica Para O Tratamento Da Perda Auditiva Súbita Refratária

 

Um estudo publicado em fevereiro desse ano no Brazilian Journal of Otorhinolaryngology fala sobre os benefícios da Oxigenoterapia Hiperbárica para o tratamento de Perda Auditiva Súbita Refratária.

Oxigenoterapia Hiperbárica Para O Tratamento Da Perda Auditiva Súbita Refratária

Segundo os autores,

“A definição de perda auditiva neurossensorial súbita (PANSS) mais amplamente aceita é de uma perda de audição de 30 dB ou mais por pelo menos três dias, em três frequências consecutivas. Trata-se de uma emergência otológica que requer tratamento urgente. As etiologias sugeridas mais comuns são fístulas perilinfáticas, infecções virais, insuficiência vascular e doenças autoimunes.”

Nesses casos, os tratamentos mais comuns são feitos com corticoides sistêmicos, que aumentam a taxa de recuperação de 32% para 65%. O problema é que depois desse tratamento sistêmico inicial, cerca de 30 a 50% dos pacientes não apresentam mais uma resposta inicial ao tratamento. É aí que entra o que é chamado de terapias de resgate.

Uma dessas terapias de resgate é conhecida como CIT, são os corticosteroides intratimpânicos, que atualmente tem se tornado uma das opções de tratamento mais recomendadas nesses casos. A outra terapia de resgate é justamente a Oxigenoterapia Hiperbárica, que é usada para esses fins desde 1970 e estudos recentes demonstram sua eficácia como tratamento de resgate em paciente com PANSS. Porém, infelizmente ainda existe muita controvérsia sobre o melhor tipo de tratamento para esses casos.

 

Para entender melhor a eficácia desses tratamentos, os autores submeteram 57 pacientes sob tais tratamentos, com consentimento dos mesmos, para identificar se os resultados seriam positivos. Desses 57, apenas 27 pacientes fizeram uso do tratamento hiperbárico, mas os resultados da amostra, por mais que reduzida, foram bons. Os autores revelam “A média de audiometria tonal do grupo foi 60,59 ± 22,75 antes do tratamento e 47,78 ± 24,43 depois. O ganho médio foi de 12,81 ± 13,31 e a variação no EDF foi de 8,59 ± 16,14”.

Os autores concluíram, portanto, que os tratamento apresentaram mecanismos diferentes. O tratamento com CIT reduz a inflamação na orelha interna, enquanto a oxigenoterapia hiperbárica aumenta a concentração de oxigênio na orelha interna com a difusão do sangue, ajudando assim na recuperação dos elementos sensoriais afetados.

 

Referência: Gülüstan F, Yazıcı ZM, Alakhras WM, Erdur O, Acipayam H, Kufeciler L, et al. Intratympanic steroid injection and hyperbaric oxygen therapy for the treatment of refractory sudden hearing loss. Braz J Otorhinolaryngol. 2018;84:28-33.

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Quais as indicações de oxigenoterapia hiperbárica?

Já faz alguns posts que estamos falando brevemente e de maneira simples sobre a Medicina Hiperbárica. O objetivo é tirar algumas dúvidas mais frequentes daqueles que ouviram falar sobre o tratamento mas não o conhecem tão bem. Se você quiser ler os outros posts, já falamos sobre O que é a Oxigenoterapia Hiperbárica, sobre o Porque que ela Funciona e também sobre em que momento se deve fazer o tratamento. Caso queira ler esses posts, é só clicar nos links.

Mas vamos ao assunto de hoje. Uma das coisas que mais nos perguntam se refere as indicações para terapia hiperbárica. E aí, quais são as indicações para esse tratamento?

 

 

Quais as indicações de OTH (Oxigenoterapia Hiperbárica)?

 

Infelizmente, esse não é um tema fácil de simples de se abordar. Sabemos que isso causa angústia aos pacientes que buscam um tratamento para esse ou aquele problema de saúde, mas, no geral, o uso da hiperbárica segue protocolos de indicação que são extensos. Seria difícil falar aqui sobre todas as indicações, mas vamos tentar abordar o assunto de maneira satisfatória. É importante dizer que para tratamento de quadros que não estejam nos protocolos, o uso da câmara hiperbárica depende do reconhecimento por parte do médico de processos que devem ser revertidos mesmo que o caso não esteja especificado nos protocolos.

Mas vamos lá, no Brasil estão reconhecidas oficialmente algumas indicações, dentre elas o pé diabético, síndrome de fournier e etc. Dentre esses, as feridas de membros inferiores (diabetes, insuficiências vasculares, úlceras de pressão e etc), os traumas complexos, as osteomielites e as complicações cirúrgicas são, disparadas, as patologias mais comuns no tratamento e também mais eficazes. Há esperança também para o caso de feridas crônicas, que estão há anos sem cicatrizar, nesses quadros, há um sistema autossustentável de deficiências do corpo, que deixa o organismo incapaz de reconhecer, acessar e lidar com o problema. Com o tratamento, depois de instaurados os processos da oxigenoterapia hiperbárica, cria-se um novo arsenal para lidar com o problema.

Esperamos ter ajudado com essa breve explicação, mas é claro que se você tiver uma dúvida específica sobre seu quadro você pode ligar em nossa clínica e falar com nossos especialistas.