Author Archives: Priscilla Figueiredo

Caso da Tailândia chama atenção para a Medicina Hiperbárica

O mundo parou no último mês para acompanhar o resgate de 12 adolescentes e seu treinador que ficaram presos em uma caverna na Tailândia. Eles desapareceram no dia 23 de junho, quando estavam explorando a caverna e ficaram presos por uma enchente que inundou parcialmente o local. No dia 2, eles foram encontrados com vida, mas estavam em uma área em que todo resgate parecia de risco, fazendo com que eles tivessem que ficar mais alguns dias antes que fossem resgatados, para que se pudesse bolar uma estratégia segura.

Uma das maiores preocupações era a possibilidade de os garotos estarem sob risco de descompressão se o ar que eles estivessem respirando na caverna estivesse sob pressão da água que se elevou. Foi nesse momento que o caso chamou a atenção para a medicina hiperbárica. Nesse caso, analistas apontaram que a solução seria remover os meninos rapidamente, com oxigênio, para uma câmara hiperbárica portátil. Nela, eles seriam submetidos à inalação de oxigênio puro em uma pressão maior que a atmosférica, acabando com os riscos.

Com ajuda de uma grande equipe e de muitos voluntários, os garotos e seu treinados já foram resgatados e passam bem. Ainda estão em acompanhamento para ver possíveis danos a suas saúdes.

ANS garante Uso de Oxigenoterapia Hiperbárica para lesões pós-radioterapia

Desde janeiro deste ano, a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) colocou em vigor uma nova cobertura dos planos de saúde que adiciona 18 novos procedimentos aos beneficiários dos mesmos. Um deles é o uso da terapia hiperbárica em pacientes com lesões causadas por radioterapia.

“Após o tratamento com radioterapia, podem ocorrer alterações nos tecidos saudáveis próximos às áreas do tumor, o que faz com que esses tecidos fiquem mal vascularizados e sejam mais sensíveis a pequenos traumas (por exemplo: lesão na mandíbula em pacientes tratados para câncer na cabeça ou pescoço) ou desencadeiem episódios de sangramentos e outros sintomas de repetição (sangramento pelo intestino ou bexiga, no caso de pacientes tratados para câncer de próstata ou útero, por exemplo).  A Oxigenoterapia Hiperbárica auxilia na recuperação dessas alterações, estimulando a cicatrização, diminuindo a intensidade dos sintomas e, com isso, melhorando a qualidade de vida”.

Essa é uma boa notícia e uma informação muito importante que deve chegar não só à classe médica, mas também aos cidadães que fazem uso do plano de saúde e devem saber que podem recorrer a esse tipo de terapia quando necessário.

 

Fonte: Hiperbárica

Benefícios da Oxigenoterapia para Condroradionecrose de laringe

Um grupo de estudiosos de São Paulo publicou no final de 2017 um artigo na Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões falando sobre os benefícios da oxigenoterapia para a Condroradionecrose de laringe após a radioterapia.

Os autores nos contam que a incidência do câncer de laringe é de mais de 100.000 casos por ano em todo o mundo. No Brasil esse tipo de câncer representa 2% de todos os cânceres, sendo que desses casos, 3.000 anuais levam a óbito. Esse câncer é mais comum em homens entre 50 e 70 anos.

Segundo os autores, “as atuais formas de tratamento para o paciente portador de carcinoma de laringe incluem a cirurgia, a radioterapia e a quimioterapia, associadas ou não. A radioterapia é uma modalidade de tratamento para diversas neoplasias, e pode ser indicada com três finalidades: curativa, paliativa e sintomática, esta última de menor indicação. Quando comparada com a cirurgia, a radioterapia isolada ou associada à quimioterapia, se mostrou eficaz para o tratamento do câncer de laringe em seus estádios iniciais, com sobrevida livre de doença semelhantes, o que deu origem, nos anos 90, ao protocolo de preservação de órgãos que foi muito utilizado, inclusive para os estádios avançados (III e IV) do tumor.

Porém, em especial para o câncer de laringe, a radioterapia provoca danos e complicações em praticamente 100% dos pacientes irradiados, sendo estes maiores ou menores, transitórios ou permanentes, e podem surgir durante a aplicação ou mesmo meses ou anos após o término do tratamento. Assim, a radioterapia isolada ou associada inflige ao tecido peri-laríngeo e laríngeo alterações que ocasionam hipóxia local, diminuem a vascularização e a população celular, com consequente diminuição de produção de colágeno e fibrina, favorecendo o aparecimento de fissuras, fístulas e feridas crônicas que não cicatrizam. Estas alterações se não tratadas e resolvidas ocasionam a perda do órgão, com bronco-aspiração contínua, sendo necessária a cirurgia de resgate, mesmo na ausência de neoplasia”.

Isso, é claro, é motivo de muita preocupação para a classe médica, que por esse motivo se debruça sobre o assunto para encontrar soluções. Uma dessas soluções é o tratamento de oxigenoterapia hiperbárica, que vem aparecendo em estudos como um grande aliado nesse quadro. Os estudos afirmam que a utilização da câmara hiperbárica foi efetiva para manter a laringe funcionante, sendo uma opção para o tratamento da condroradionecrose. Os próprios autores citam outro estudo que aponta que de 16 pacientes submetidos à cirurgia de resgate e que utilizaram oxigenoterapia, 14 foram bem sucedidos e consideraram a oxigenoterapia hiperbárica um aliado poderoso e efetivo para o tratamento das fístulas pós-operatórias. Outros autores ainda, em sua revisão de pacientes com câncer de laringe tratados com radioterapia, propõem o seguimento com tomografia por emissão de pósitrons (PET-CT) para evitar o trauma local e incluem a oxigenoterapia como alternativa não cirúrgica para a preservação da laringe.

 

Por isso nesse estudo os médicos avaliaram pacientes que havia passado por esse quadro e notaram que de 131 pacientes portadores de câncer de laringe, 28 foram submetidos à radio e quimioterapia exclusiva e destes, três evoluíram com condroradionecrose. O tratamento destes pacientes foi realizado com câmara hiperbárica e com desbridamento cirúrgico, conforme proposição do fluxograma. Todos os pacientes tiveram a laringe preservada.

Com isso, eles concluiram que “a incidência de condroradionecrose de laringe por complicação de radioterapia e quimioterapia em nossa casuística foi de 10,7% e o tratamento com oxigenoterapia hiperbárica, com base no nosso fluxograma, foi efetivo no controle desta complicação”.

 

Se você quiser ler o artigo completo, basta clicar no link de referência abaixo:

MELO, Giulianno Molina et al . Condroradionecrose de laringe após radioterapia. Rev. Col. Bras. Cir.,  Rio de Janeiro ,  v. 44, n. 4, p. 374-382,  Aug.  2017 . 

O Efeito Da Oxigenoterapia Hiperbárica No Cérebro De Ratos Com Lesão Traumática

Estudiosos chineses do departamento de tratamento intensivo do hospital de Xangai, publicaram recentemente, em abril deste ano, um artigo que fala sobre os efeitos da terapia hiperbárica em lesões cerebrais traumáticas.

Os autores iniciam sua pesquisa nos falando sobre a lesão cerebral traumática, que ocorre quando há aceleração ou desaceleração repentina no crânio, podendo essa (des)aceleração ser causada por todos os tipos de forças externas, dentre as quais o acidente de trânsito é uma das causas mais comuns e ainda crescente na sociedade moderna. Estima-se que cerca de 2 milhões de pessoas sofrem esse tipo de lesão anualmente nos Estados Unidos, sendo ela a responsável por 30% das mortes relacionadas a ferimentos. Por causa de suas causas heterogêneas, os sinais e sintomas variam drasticamente, dependendo da parte do cérebro afetada e da gravidade da lesão. Uma lesão leve pode causar dor de cabeça, vômito, náusea, tontura, dificuldade de equilíbrio e assim por diante, enquanto lesões mais graves podem causar convulsões, incapacidade de despertar, fala arrastada, afasia e mudança de comportamento.

Os pesquisadores nos apresentam então os seguintes dados: “De acordo com a característica da patogênese, os danos da lesão podem ser focais ou difusos ou a combinação de ambos. Uma lesão traumática focal poderia ser facilmente detectada pelo método de imagem convencional, mas a lesão traumática difusa (DTI) só poderia ser detectada por exame de microscopia post-mortem ou técnicas avançadas de ressonância magnética. O DTI inclui os seguintes 4 tipos de dano cerebral: 1) lesão axonal difusa, que afeta a substância branca; 2) Isquemia, causada pelo suprimento sanguíneo reduzido e uma razão principal de dano secundário; 3) Lesão vascular e 4) Edema, aumentando a pressão intracraniana que pode ser letal se não for tratada adequadamente. Normalmente, essas alterações patológicas não ocorrem separadamente; em vez disso, duas ou mais mudanças ocorrem simultaneamente ou funcionam como causações recíprocas. Devido ao dano amplamente disseminado e às complicadas vias de patogênese envolvidas, o DTI é o maior desafio tanto para o tratamento quanto para o prognóstico. Embora esforços extensos tenham sido dedicados ao desenvolvimento de métodos terapêuticos para TCE / DTI, pouco foi alcançado na melhoria do prognóstico clínico. Além do dano cerebral causado durante o período agudo, as neuropatologias podem evoluir para a encefalopatia traumática crônica (CTE), que poderia ser uma ameaça à saúde por toda a vida. As deficiências associadas ao TCE afetam aproximadamente 5 milhões de pessoas nos EUA, com um custo de assistência médica superior a US $ 60 bilhões.”

Com esses dados, os autores resolveram testar a oxigenoterapia hiperbárica no tratamento desse tipo de lesão cerebral. Para isso, eles usaram ratos como modelos. Os ratos tinham as lesões acima descritas e passaram pelo tratamento enquanto os pesquisadores acompanhavam de perto o quadro.

O que eles encontraram foi bastante positivo. Resumidamente falando, há melhores respostas depois do tratamento. Além disso, a forma como a terapia hiperbárica  otimiza o funcionamento do corpo pode estimular melhor o efeito de proteção dos astrócitos e estender sua aplicação médica. Assim sendo, o estudo encontrou evidência de uso clínico de oxigenoterapia hiperbárica para o tratamento de danos cerebrais.

 

Para ler o artigo completo, com todos os seus resultados neurológicos detalhados, basta clicar aqui.

Sobre a Hypermed

A Hypermed foi a primeira clínica particular de Medicina Hiperbárica do Brasil, trabalhando desde 1974. Sendo que antes disso apenas a marinha do Rio de Janeiro se beneficiava desse tratamento. Está em Campinas desde 2001 sob os cuidados do Carlos, que foi responsável pela clínica de São Paulo anteriormente. Carlos trabalha com Medicina Hiperbárica desde que o tratamento veio para o Brasil, tendo formação de Técnico Hiperbárico nos Estados Unidos. Participou do primeiro curso e do primeiro congresso sobre esse tratamento que foram realizados no Brasil, ambos na Unicamp em 1987. É, também, o primeiro membro registrado pela Undersea Hyperbaric Medical Society da América Latina, registrado desde 1991. Além de também ter sido o primeiro brasileiro a participar dos congressos e encontros Pan-americanos e Mexicanos de Medicina Hiperbárica. O médico responsável e diretor clínico do serviço, Leandro Figueiredo fala do serviço com carinho: “​Eu como médico e diretor clínico do serviço, filho de um dos principais pioneiros e entusiastas do tratamento no Brasil ​e crescido neste meio, assisti de perto milhares de histórias fantásticas de recuperação. Inclusive de familiares e amigos próximos. Vejo a Hypermed como um modelo de sucesso no compromisso de acabar com o sofrimento daqueles que, por mais vezes do que gostaríamos de aceitar, foram declarados moribundos. Além disso, ver um serviço independente de um tratamento que há pouco menos de duas décadas não era reconhecido no Brasil​, se sustentar, se afirmar e vencer chegando onde chegou hoje com ampla aceitação e fazer parte de toda esta história é muito gratificante.”.

 

trecho retirado de Matéria da Revista Na Lagoa.