Author Archives: Priscilla Figueiredo

Indicações oftalmológicas para OHB

Uma pesquisa feita por estudiosos de Barcelona e publicado na Revista Virtual De Medicina Hiperbárica Da Espanha, fala sobre os quadros oftalmológicos que a oxigenoterapia hiperbárica pode ajudar. Os pesquisadores fizeram uma revisão bibliográfica da Oxigenoterapia Hiperbárica e suas indicações em Oftalmologia, objetivando criar uma referência atualizada sobre o assunto, que servisse de consulta aos especialistas de ambos os ramos.

Os quadros oftalmológicos citados no estudo que podem se beneficiar do tratamento coadjuvante da oxigenoterapia hiperbárica são:

  • Trombose da artéria central da retina
  • Retinopatia diabética
  • Neurite Óptica
  • Retinite pigmentosa
  • Glaucoma
  • Atrofia óptica
  • Afeições Cornéal
  • Distúrbios hipóxicos do segmento anterior.
  • Edema cistóide no pós-operatório.
  • Trombose de fundo venoso.

Eles explicam:

  • Os mecanismos de autorregulação da retina têm uma grande influência na eficácia da OHB.
  • A retina não é muito sensível à hipocapnia e sua vasoconstrição é uma resposta primária à hipóxia.
  • Nenhum tratamento convencional para a obstrução da artéria central da retina é satisfatório por si só. Quando a oclusão é incompleta, tem sido bem-sucedida a combinação de tratamentos convencionais com OHB mas quando a oclusão é completa do resultado depende da rapidez com que a terapia hiperbárica é iniciada (de preferência, dentro das primeiras horas enquanto que a retina é viável).
  • A OHB provou ser útil na retinopatia diabética não-proliferativa com base em vasoconstrição induzida por hiperoxia e, obviamente, é uma contra-indicação absoluta em membranoproliferativa por ser o OHB um indutor de neovascularização.
  • HBO é útil no tratamento de neurites pós-radiação, neurite metanólica e neuropatia mielocítica subaguda.
  • Usado na Retinitis Pigmentosa, o OHB melhora a acuidade visual e produz uma abertura do campo visual após 10 sessões, mas essa melhora não é permanente, mas as sessões do OHB são mantidas ao longo do tempo.
  • Produz melhoria do campo visual no glaucoma de ângulo aberto.
  • No caso de atrofia óptica, a melhora pode ser considerável se a OHB for usada para apoiar terapias tradicionais.
  • A HBO é bem-sucedida na grande maioria das condições da córnea, como queratite, ceratocone, traumatismos e ulcerações.
  • A isquemia do segmento anterior e a rubeose da íris, que aparecem como complicações cirúrgicas, podem ser prevenidas e tratadas com sucesso pela OHB.
  • O edema cistóide pós-operatória e fundo trombose venosa, que também domina benefício edema, vasoconstritora do poder da OHB.

Com o estudo, os pesquisadores concluíram que a OHB é um tratamento eficaz na maioria destas entidades, mas para isso deve ser iniciado tão cedo quanto possível.

 

Para ler o estudo completo, clique aqui.

 

Efeito terapêutico da OHB na trombose de artéria hepática e colestase funcional pós transplante hepático

Um estudo, realizado por profissionais da USP, foi publicado na revista Transplantation Proceedings. A pesquisa foi intitulada Therapeutic Effect of Hyperbaric Oxygen in Hepatic Artery Thrombosis and Functional Cholestasis After Orthotopic Liver Transplantation”, o nome em tradução livre seria Efeito terapêutico da oxigenoterapia hiperbárica na trombose de artéria hepática e colestase funcional pós transplante hepático ortotópico”.

Esta pesquisa se mostra bastante interessante, pois ela reitera o que sabemos sobre os benefícios da oxigenoterapia hiperbárica em casos de complicações pós cirúrgicos e pós procedimentais. Segundo os autores, entre as complicações pós-operatórias, a trombose da artéria hepática pode ocorrer em até 10% dos transplantes de fígado ortotópicos em adultos e a intervenção é indicada quando isso ocorre em 30 dias por retransplante. A disfunção primária do enxerto, que pode ocorrer em até 30% dos casos e é outra complicação potencial e, embora reversível, tem uma taxa de mortalidade relativamente alta.

Nesse momento que entra a OHB, como eles mesmos citam: “a terapia hiperbárica, um modo eficiente de oxigenação tecidual, está sendo usada em um número crescente de situações clínicas”.

No estudo eles relatam os casos de dois pacientes com complicações pós transplante hepático ortotópico: um com trombose da artéria hepática e outro com disfunção primária do enxerto. Os dois pacientes foram submetidos a terapia hiperbárica e ambos apresentaram rápida recuperação clínica com redução gradual das enzimas hepáticas e canaliculares logo após o início da oxigenoterapia hiperbárica.

Link para o estudo completo aqui.

Oxigenoterapia Hiperbárica no tratamento da Osteomielite

O médico hiperbarista Sérgio Vasconcellos Trivellato tem um artigo interessante em que fala sobre a osteomielite e como a oxigenoterapia hiperbárica ajude nesse quadro. Ele traz informações de estudos comprovando esse resultado bastante significativo.

Leia a seguir:

 A Osteomielite é um processo inflamatório agudo ou crônico do tecido ósseo, produzido por bactérias piogênicas (isto é, produtoras de pus). A bactéria responsável varia de acordo com a idade do paciente e o mecanismo da infecção. Esses agentes causadores (bactéria) chegam ao tecido ósseo de diferentes maneiras: através de infecções originadas em lesões cirúrgicas ou acidentais; através de partes infectadas do corpo que aumentam a sua área afetada, atingindo os ossos; pelo sangue, que pode trazer infecções de outras partes do corpo.

A Osteomielite pode ser de origem hematogênica, isto é, causada por bactérias que se originam de um foco infeccioso afastado do osso, chegando ao mesmo através da circulação sanguínea. Este tipo de Osteomielite ocorre mais comumente em crianças. Os locais dos ossos mais afetados são a metáfise (que é uma região altamente vascularizada nos ossos em crescimento) e a epífise dos ossos longos. Pode também ser devido a uma lesão
contígua ao osso, durante um trauma direto (como exemplo: trauma produzido por um instrumento pontiagudo, fratura exposta, feridas profundas), cirurgia ou a um foco infeccioso junto ao osso. A Osteomielite pode também ser secundária
a uma doença vascular periférica. Toda Osteomielite começa como infecção aguda. Se não tratada, ou se o tratamento
não for eficaz, evolui, por definição após seis meses, para Osteomielite crônica.

Oxigenoterapia hiperbárica é útil no tratamento coadjuvante de osteomielites. Atualmente a cultura de material colhida pela biópsia óssea é método eficiente para a terapia antimicrobiana.
Intervenções cirúrgicas programadas pode ser conduta determinante nos casos de osteomielites refratarias.

  • Perrins ET AL (1) Relataram 24 pacientes com osteomielite crônica recidivante, nos quais a sequestrectomia prévia, uso de antibióticos de largo expectro haviam fracassado. A associação de oxigenoterapia hiperbárica e antibiótico resultaram em cicatrização de 17 dos 24 pacientes (70,8%).
  • Depenbusch ET AL (2) relataram 50 pacientes nos quais a cirurgia e antibióticos não foram eficazes no controle do osteomielite. Após associação com oxigenoterapia hiperbárica 71% dos pacientes apresentaram cicatrizarão óssea.
  • Morrey AL (3) fizeram estudos nos quais os pacientes foram usados como seus próprios controles. Relataram 40 pacientes com osteomielite crônica com resposta precária a cirurgia e antibióticos.
  • Todos pacientes apresentavam infecção por mais de 1 mês. Foram submetidos a desbridamento cirúrgico prévio, antibiótico via parenteral, acompanhamento por 12 meses. Após o tratamento com oxigenoterapia hiperbárica, cirurgia apropriada e uso de antibióticos, 34 pacientes (85%) estavam livres da doença e 06(15%) apresentaram recidivas.

A equipe do médico ainda confirma:

Temos tido resultados excelentes nos casos agudos, subagudas e crônicos de osteomielite – infecções músculo cutâneo e necrose, com seguinte terapia: Procedimentos Cirúrgicos, Câmara Hiperbárica Diária e Antibioticoterapia. Temos utilizado inclusive em enxertos ósseos com fator de crescimento, acelerando em 50% o tempo de cicatrização.

Fonte

OHB e Doenças Hepáticas

Há alguns anos foi publicado na revista Acta Cirúrgica Brasileira um artigo científico intitulado “Oxigenoterapia Hiperbárica e Regeneração Hepática”. O estudo foi realizado por pós-graduandos e docentes dos departamentos de cirurgia, anatomia e patologia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto.

O interessante desse estudo é que ele nos mostra como a oxigenoterapia hiperbárica pode ser um aliado no tratamento de doenças hepáticas, com resultados muito significativos.

O que os estudiosos nos dizem dessa relação é o seguinte:

Na área da hepatologia poucos trabalhos são encontrados na literatura. Inicialmente, a OHB foi descrita para a preservação de enxertos hepáticos, em 1968. Recentemente, alguns autores aprofundaram-se no estudo dos efeitos e da utilização da OHB em outros campos da hepatologia. Burk e col tratou um grupo de ratos com 2 atm de oxigênio por 6 horas após a administração de CCl intragástrico e observou um aumento na sobrevida de 31% para 96%. Este autor, baseado em seus achados, conclui que a oxigenoterapia hiperbárica deva ser utilizada o mais precoce possível em todos os casos de intoxicação por CCl em humanos.

Mazariegos e col. em 1999, publicou estudo comparando a evolução de crianças submetidas a transplante de fígado que evoluíram com trombose precoce da artéria hepática (TAH). Neste trabalho o autor comparou 14 casos de TAH que ocorreram entre 1989 e 1994 (grupo controle), com 17 casos de TAH que ocorreram entre 1994 e 1998 os quais foram submetidos a oxigenoterapia hiperbárica iniciada nas primeiras 24 horas do diagnóstico. O Grupo de Mazariegos observou que não houve diferença significativa na sobrevida e na taxa de retransplante. Porém, os casos que necessitaram retransplante, foram realizados mais tardiamente e em condições semi-eletivas no grupo tratado com OHB (p<0,05). Isto poderia explicar a mortalidade zero neste grupo quando submetido a retransplante contra 2 óbitos dos pacientes submetidos a retransplante que não receberam OHB.

Uwagawa e col. em 2001 comparou, em estudo experimental, o efeito da oxigenoterapia hiperbárica em ratos submetidos a ligadura do ramo direito da veia porta, simulando a técnica de embolização pré-operatória da veia porta. O autor observou aumento significativo dos níveis séricos de fator de crescimento de hepatócito (HGF), aumento na proliferação celular e hipertrofia compensatória nos segmentos hepáticos não ligados do grupo que recebeu OHB.

Desta forma, a oxigenoterapia hiperbárica surge como mais uma ferramenta para o tratamento das doenças hepáticas. É necessário, no entanto, trabalhos experimentais e clínicos para ampliar os conhecimentos existentes nesta área. Neste sentido, resultado preliminar de estudo sobre o efeito da oxigenoterapia hiperbárica na regeneração hepática, realizado em nosso laboratório, revelou aumento de aproximadamente 50% da regeneração hepática, avaliada pelo método do PCNA.

Consulte seu médico e veja se a oxigenoterapia hiperbárica pode ser um aliado para o seu caso também. Em caso de dúvidas, ligue para nossa equipe. Nós ficaremos felizes em atendê-los.

Para ler o estudo clique aqui

 

Doença de Chron e Oxigenoterapia Hiperbárica

Um estudo recente, desenvolvido pelos autores da USP Iezzi, Leonardo Estenio; Feitosa, Marley Ribeiro; Medeiros, Bruno Amaral; Aquino, Jussara C.; Almeida, Ana Luiza Normanha R. de; Parra, Rogério Serafim; Rocha, José Joaquim Ribeiro da e Feres, Omar é bastante interessante para a nossa área. O artigo, intitulado “Crohn’s disease and hyperbaric oxygen therapy”, pretende estudar a aplicação da terapia hiperbárica em pacientes com doença de Chron (CD) que se apresentam refratários a terapia farmacológica, que evoluíram com complicações abdominais, orificiais ou dermatológicas.

Para que isso fosse avaliado eles contaram com a participação de 14 pacientes, que foram selecionados no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo e no Centro de Medicina Hiperbárica do Hospital São Paulo de Ribeirão Preto. Todos os 14 pacientes selecionados eram portadores de Doença de Crohn refratária ao tratamento farmacológico e foram submetidos a sessões de oxigenoterapia hiperbárica.

Os resultados foram incrivelmente positivos. Dos 14 pacientes avaliados, 11 apresentaram uma boa resposta com a inclusão da oxigenoterapia hiperbárica no tratamento. Com isso, os estudiosos concluíram que a OHB traz benefícios aos pacientes com doença de chron. Principalmente aqueles refratários ao tratamento farmacológico.

 

Fonte: Acta Cirúrgica Brasileira, v.26, suppl.2, p.129-132, 2011 http://producao.usp.br/handle/BDPI/7335